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Para
gerir a propriedade agrícola necessário se faz estudar as relações
que se estabelecem entre os diversos fatores na propriedade rural, com o
objetivo de obter a maior rentabilidade possível. Para tanto o produtor
precisa saber o que, como e quanto produzir e, principalmente, para quem
vender seus produtos.
Na
decisão do produtor, no curto, médio ou longo prazo, o domínio de técnicas
de gestão agrícola, desempenha papel preponderante em função das
constantes mudanças que podem ocorrer no setor, tais como,
disponibilidade de recursos e tecnologias, preços de insumos e
produtos, políticas agrícolas. Estas dependendo do grau de intensidade
representam riscos e incertezas.
Para
tomar decisões o produtor precisa de alguns pré-requisitos dentro dos
quais o mais importante é o conhecimento. As decisões a serem tomadas
serão tão ou mais acertadas e seguras, quanto maior e mais profundo
for o conhecimento do produtor sobre a atividade, dos meios e
instrumentos a serem utilizados na ação, dos fins ou metas propostas e
consequências que poderão advir da decisão tomada.
Agir
com racionalidade significa que o produtor vai procurar produzir em
pontos sobre sua curva de transformação de produtos, dados os preços
dos insumos (alimentos, medicamentos, mão-de-obra, etc.) e dos
produtos. A relação desses preços vai determinar o ponto ótimo de
produção. O produtor agiria " irracionalmente " caso
decidisse produzir no "interior" da curva de possibilidades de
produção.
As
informações organizadas e analisadas levam a alternativas de decisão.
O administrador, no caso o produtor, buscará selecionar as opções
para a(s) solução(ções) mais relevantes.
Na
administração da atividade suinícola, existem alguns aspectos
envolvidos que são relacionados com as tarefas executadas dentro da
propriedade e outros que dizem respeito às coisas "fora da
porteira" como: a racionalização dos trabalhos na execução das
operações, execução de tarefas para a produção de animais; emprego
de todos os meios disponíveis para a consecução das operações,
produção de insumos próprios para a alimentação dos animais. E
outros que dizem respeito às coisas "fora da porteira"
e que podem ser: compra dos insumos e fatores produtivos destinados a
produção de animais, venda dos animais às agroindústrias,
abatedouros municipais ou açougues; tomada de empréstimos junto às
instituições financeiras, etc.
Para
o produtor de suínos, de forma diferenciada com o que ocorre com
empresas que produzem outros tipos de produtos como por exemplo:
sapatos, tecidos, carros, etc., a venda do seu produto final não tem um
caráter de continuidade, uma vez que não são todos os dias que se têm
animais prontos para o abate, ou para a venda como reprodutor. Além
disso o maior problema do suinocultor é que este não tem como estocar
animais esperando para vender quando os preços no mercado estiverem
melhores, pois a partir de determinada faixa de peso (90 - 110 Kg ), o
desempenho dos animais em termos de conversão alimentar é prejudicado
elevando o custo de produção dos animais, tornando economicamente inviável
a sua manutenção na granja.
Outro
aspecto que força, principalmente, os pequenos produtores, a buscar
milho no mercado em época inadequada, é a falta de capacidade de
armazenagem de grãos na própria granja.
A
suinocultura por ser uma atividade que convive constantemente com
crises, deve ser conduzida buscando sempre o emprego de tecnologias que
possibilitem obter ganhos de produtividade, melhor conversão alimentar,
e por conseqüência, menor custo de produção e melhores resultados
econômicos.
O
uso dos fatores de produção de uma forma otimizada, leva a melhores
resultados econômicos e possibilita também um fluxo de caixa mais
equilibrado.
Levando-se
em conta o emprego do capital e do trabalho, pode-se dizer que a criação
de suínos tem de fato o que se chama de " Categorias dos Fatores
de Produção " que se diferenciam entre si pelo tempo de vida útil
(durabilidade) e a natureza dos serviços produzidos em:
a)
fatores fixos: são os meios de produção (edificações, equipamentos,
pessoal fixo, plantel reprodutor etc...), que determinam uma certa
capacidade de produção.
A
existência ocasional de despesas com a estrutura devem ser suportadas
pela unidade produtiva qualquer que seja o volume de produção
realizado.
Dessa
forma, num rebanho suinícola, com determinado número de fêmeas,
deve-se produzir a cada ano um certo número de leitões ou de suínos
para o abate (terminados). Portanto, a gestão da propriedade, repousa
na forma da abordagem dos objetivos, aqui definidos pelo pleno emprego
dos meios de produção, de modo que os encargos fixos globais sejam
minimizados por unidade produzida.
b)
fatores variáveis: São aqueles que variam de acordo com o nível de
produção da empresa agrícola (adubos, ração, combustíveis,
produtos veterinários, etc.), ou seja, são bens de produção que são
consumidos integralmente a cada ciclo de produção e exprimem
movimento, transformação ou giro.
Na
condução de sua atividade o suinocultor também precisa manter
contatos ou efetuar transações que transcendem a "porteira"
de sua propriedade.
Nesse
sentido, entendemos que os principais aspectos envolvidos na gestão da
propriedade suinícola, além da direção são:
a)
planejamento
O
planejamento é um processo dinâmico que no meio rural objetiva a
racionalização da produção agropecuária.
Os
objetivos ou propósitos, devem adaptar-se às necessidades e anseios do
produtor, aos recursos disponíveis, (mão-de-obra, terra, capital,
etc.), e também às demandas do mercado e condições de meio-ambiente
no seu sentido mais amplo.
O
produtor deve, por sua vez buscar os meios (recursos, formas de
controle, tecnologias e etc), para produzir.
A
busca de resultados econômicos e formas adequadas de controle
justificam a elaboração de planos que devem primordialmente
concentrar-se nos objetivos previamente definidos.
Ao
planejar deve-se buscar sistematizar o processo de decisões e programar
as ações futuras observando os seguintes aspectos:
a)
oportunidade;
b)
planos derivativos;
c)
resposta a questionamentos;
d)
prazos.
Na
suinocultura o planejamento tem se voltado mais à parte técnica da
atividade. Planos que envolvam todas as áreas normalmente têm sido
elaborados quando o objetivo é a implantação de uma nova unidade
produtiva.
b)
organização
A
organização administrativa das propriedades suinícolas está
diretamente relacionada com as suas dimensões. A necessidade de
racionalização dos procedimentos administrativos cresce à medida que
aumenta a dimensão da empresa suinícola.
Nas
pequenas granjas a subdivisão de tarefas é mínima. O pequeno produtor
de suínos geralmente auxiliado por membros da família, cultiva a
terra, trata dos animais e ainda exerce todas as tarefas
administrativas, tais como: decidir como e quando plantar, uso de
insumos, compras, vendas, aplicação e uso de medicamentos, descarte de
reprodutores etc.
À
medida que a dimensão da empresa suinícola aumenta, o número de
pessoas envolvidas na atividade, embora não na mesma proporção, também
aumenta. Isto porque, além de ganhos de escala, a "automatização"
é um fator que contribue para reduzir a necessidade de mão-de-obra. Na
medida que o tamanho da propriedade aumenta, o produtor deve buscar
maior nível de especialização, para reduzir custos e minimizar
riscos.
A
falta de organização dos produtores no momento de comercializar seu
produto final, agindo normalmente de forma isolada, faz com que percam
poder de barganha.
As
alternativas que se imaginam, poderiam contribuir para diminuir o
problema dos produtores, seriam:
a)
Associação em condomínios ou cooperativas;
b)
Criação de estruturas associativas de mercado paralela a hoje
existente que incrementasse a comercialização de carne suína "in
natura ".
c)
controle
Para
que uma atividade, seja ela agrícola, comercial ou industrial, tenha
sucesso, além dos aspectos abordados anteriormente é preciso que sejam
implantadas formas de controle técnico-econômico das diversas
atividades exercidas pela empresa.
No
caso da suinocultura, além dos controles econômicos é preciso que se
cuide com profundidade também dos aspectos produtivos, ou seja, que se
controle muito bem o rebanho reprodutor, pois dele depende em grande
parte o sucesso do empreendimento.
Para
melhor compreensão dos fatores que envolvem o controle da atividade
suinícola esses, foram classificados da seguinte forma:
c.1)
aspectos técnicos
O
produtor deve, ou precisa saber, qual a capacidade das suas instalações,
em termos de matrizes instaladas e, principalmente, em terminados porca
ano, peso dos animais na venda, número de animais vendidos/mês, etc.
Deve procurar também alcançar metas pré-definidas, buscando uma produção
estabilizada.
Definido
o plano de produção, para se obter um melhor desempenho da granja suinícola
como um todo, é preciso que se implante também (além do que já foi
visto) um controle sobre o plantel reprodutor e suas leitegadas.
Assim
das muitas formas de controle produtivo existente destacamos:
a)
Identificação dos animais;
-
Fichas
de controle;
c)
Coeficientes técnicos.
A
avaliação do desempenho zootécnico de um plantel reprodutor, depende
de uma série de coeficientes que devem ser calculados periodicamente,
afim de, se apontada alguma distorção nos resultados esperados,
medidas possam ser tomadas para corrigir o problema.
Como
exemplo para o controle em rebanhos suinícolas temos:
a)
Os controles de localização dos animais dentro das instalações de
uma criação de animais, permite localizar as fêmeas e os machos (pela
leitura da mossa), os lotes de leitões e animais na engorda (com a
leitura da data de entrada).
b)
O controle de rebanho, nesse caso é criado uma ficha por reprodutor,
contendo todas as informações que lhe são concernentes (pai, mãe,
data de nascimento, coberturas etc.). As fichas são colocadas num
mural. Alfinetes de cores diferentes permitem visualizar o estado fisiológico
das porcas, o número de partos etc.
c)
Os controles da criação de suínos; se empregados constituem nos
instrumentos de condução do rebanho contrariamente a caderneta do
rebanho, as fichas ou os planos de localização do rebanho, eles
permitem o controle do estado fisiológico de todas as fêmeas e de:
-
previsão das operações a efetuar: detecção dos cios, entradas na
maternidade, partos, desmames etc.
-
visualizar o andamento do rebanho e notadamente a importância e a
regularidade dos lotes de porcas (e as necessidades de leitoas).
-
Conhecer dentro de certos casos a freqüência de utilização e a
percentagem de retorno ao cio por machos e levantar balanços periódicos
de produtividade.
d)
Outros tipos de controle:
-
Planejamento circular;
-
Planejamento linear;
-
Planejamento com index móvel.
c.2)
aspectos econômico-financeiros
Na
suinocultura as variações climáticas provocam alterações no
rendimento da produção de alimentos que são destinados aos animais,
especialmente do milho, (principal alimento na composição da ração),
elevando os preços no mercado e por conseqüência o custo de produção.
O
grande número de pequenas unidades produtoras, bem como sua dispersão
geográfica, dificulta a organização do setor, em função disso perde
poder no processo de determinação dos preços.
A
obtenção de financiamentos, que tanto na sua forma, como na duração,
devem ser adequados ao destino dos recursos, também é dificultada em
função da desarticulação dos produtores.
Os
resultados econômicos considerados mais importantes para o produtor de
suínos são:
-
vendas
de animais;
-
compra
de animais;
-
variação
de estoques de animais;
-
despesas
com insumos alimentares;
-
despesas
gerais;
-
margem
bruta;
-
custo
de produção.
Considerações
finais
Procurou-se
de uma forma simples e introdutória apresentar os principais itens
relevantes à administração da empresa produtora de suínos.
Certamente o produtor deve procurar treinamento e aprender a usar os
instrumentos e métodos modernos de gerenciamento.
Não
se deve esquecer que os tempos mudaram e a competição entre países e
empresas cresceu acentuadamente nos últimos anos. Os preços agrícolas
apresentam uma tendência de queda e a competição passa a ser entre os
melhores criadores do mundo. Aqueles que não procurarem aperfeiçoar-se
e usarem boas técnicas produtivas e gerências correm o risco de terem
baixa rentabilidade ou mesmo de serem obrigados a fechar seu negócio.
Por isso, nessa era da globalização, da informática e do uso maciço
de tecnologia modernas, o bom gerenciamento passa a ser fundamental para
o sucesso de qualquer empreendimento.
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