ADMINISTRAÇÃO DA PROPRIEDADE SUINÍCOLA
Artigo produzido pela Embrapa Suínos e Aves

Ademir Francisco Girotto,
econ., MSc., economia da produção,
pesquisador da Embrapa Suínos e Aves

Para gerir a propriedade agrícola necessário se faz estudar as relações que se estabelecem entre os diversos fatores na propriedade rural, com o objetivo de obter a maior rentabilidade possível. Para tanto o produtor precisa saber o que, como e quanto produzir e, principalmente, para quem vender seus produtos.

Na decisão do produtor, no curto, médio ou longo prazo, o domínio de técnicas de gestão agrícola, desempenha papel preponderante em função das constantes mudanças que podem ocorrer no setor, tais como, disponibilidade de recursos e tecnologias, preços de insumos e produtos, políticas agrícolas. Estas dependendo do grau de intensidade representam riscos e incertezas.

Para tomar decisões o produtor precisa de alguns pré-requisitos dentro dos quais o mais importante é o conhecimento. As decisões a serem tomadas serão tão ou mais acertadas e seguras, quanto maior e mais profundo for o conhecimento do produtor sobre a atividade, dos meios e instrumentos a serem utilizados na ação, dos fins ou metas propostas e consequências que poderão advir da decisão tomada.

Agir com racionalidade significa que o produtor vai procurar produzir em pontos sobre sua curva de transformação de produtos, dados os preços dos insumos (alimentos, medicamentos, mão-de-obra, etc.) e dos produtos. A relação desses preços vai determinar o ponto ótimo de produção. O produtor agiria " irracionalmente " caso decidisse produzir no "interior" da curva de possibilidades de produção.

As informações organizadas e analisadas levam a alternativas de decisão. O administrador, no caso o produtor, buscará selecionar as opções para a(s) solução(ções) mais relevantes.

Na administração da atividade suinícola, existem alguns aspectos envolvidos que são relacionados com as tarefas executadas dentro da propriedade e outros que dizem respeito às coisas "fora da porteira" como: a racionalização dos trabalhos na execução das operações, execução de tarefas para a produção de animais; emprego de todos os meios disponíveis para a consecução das operações, produção de insumos próprios para a alimentação dos animais. E outros que dizem respeito às coisas "fora da porteira" e que podem ser: compra dos insumos e fatores produtivos destinados a produção de animais, venda dos animais às agroindústrias, abatedouros municipais ou açougues; tomada de empréstimos junto às instituições financeiras, etc.

Para o produtor de suínos, de forma diferenciada com o que ocorre com empresas que produzem outros tipos de produtos como por exemplo: sapatos, tecidos, carros, etc., a venda do seu produto final não tem um caráter de continuidade, uma vez que não são todos os dias que se têm animais prontos para o abate, ou para a venda como reprodutor. Além disso o maior problema do suinocultor é que este não tem como estocar animais esperando para vender quando os preços no mercado estiverem melhores, pois a partir de determinada faixa de peso (90 - 110 Kg ), o desempenho dos animais em termos de conversão alimentar é prejudicado elevando o custo de produção dos animais, tornando economicamente inviável a sua manutenção na granja.

Outro aspecto que força, principalmente, os pequenos produtores, a buscar milho no mercado em época inadequada, é a falta de capacidade de armazenagem de grãos na própria granja.

A suinocultura por ser uma atividade que convive constantemente com crises, deve ser conduzida buscando sempre o emprego de tecnologias que possibilitem obter ganhos de produtividade, melhor conversão alimentar, e por conseqüência, menor custo de produção e melhores resultados econômicos.

O uso dos fatores de produção de uma forma otimizada, leva a melhores resultados econômicos e possibilita também um fluxo de caixa mais equilibrado.

Levando-se em conta o emprego do capital e do trabalho, pode-se dizer que a criação de suínos tem de fato o que se chama de " Categorias dos Fatores de Produção " que se diferenciam entre si pelo tempo de vida útil (durabilidade) e a natureza dos serviços produzidos em:

a) fatores fixos: são os meios de produção (edificações, equipamentos, pessoal fixo, plantel reprodutor etc...), que determinam uma certa capacidade de produção.

A existência ocasional de despesas com a estrutura devem ser suportadas pela unidade produtiva qualquer que seja o volume de produção realizado.

Dessa forma, num rebanho suinícola, com determinado número de fêmeas, deve-se produzir a cada ano um certo número de leitões ou de suínos para o abate (terminados). Portanto, a gestão da propriedade, repousa na forma da abordagem dos objetivos, aqui definidos pelo pleno emprego dos meios de produção, de modo que os encargos fixos globais sejam minimizados por unidade produzida.

b) fatores variáveis: São aqueles que variam de acordo com o nível de produção da empresa agrícola (adubos, ração, combustíveis, produtos veterinários, etc.), ou seja, são bens de produção que são consumidos integralmente a cada ciclo de produção e exprimem movimento, transformação ou giro.

Na condução de sua atividade o suinocultor também precisa manter contatos ou efetuar transações que transcendem a "porteira" de sua propriedade.

Nesse sentido, entendemos que os principais aspectos envolvidos na gestão da propriedade suinícola, além da direção são:


a) planejamento


O planejamento é um processo dinâmico que no meio rural objetiva a racionalização da produção agropecuária.

Os objetivos ou propósitos, devem adaptar-se às necessidades e anseios do produtor, aos recursos disponíveis, (mão-de-obra, terra, capital, etc.), e também às demandas do mercado e condições de meio-ambiente no seu sentido mais amplo.

O produtor deve, por sua vez buscar os meios (recursos, formas de controle, tecnologias e etc), para produzir.

A busca de resultados econômicos e formas adequadas de controle justificam a elaboração de planos que devem primordialmente concentrar-se nos objetivos previamente definidos.

Ao planejar deve-se buscar sistematizar o processo de decisões e programar as ações futuras observando os seguintes aspectos:

a) oportunidade;

b) planos derivativos;

c) resposta a questionamentos;

d) prazos.

Na suinocultura o planejamento tem se voltado mais à parte técnica da atividade. Planos que envolvam todas as áreas normalmente têm sido elaborados quando o objetivo é a implantação de uma nova unidade produtiva.


b) organização


A organização administrativa das propriedades suinícolas está diretamente relacionada com as suas dimensões. A necessidade de racionalização dos procedimentos administrativos cresce à medida que aumenta a dimensão da empresa suinícola.

Nas pequenas granjas a subdivisão de tarefas é mínima. O pequeno produtor de suínos geralmente auxiliado por membros da família, cultiva a terra, trata dos animais e ainda exerce todas as tarefas administrativas, tais como: decidir como e quando plantar, uso de insumos, compras, vendas, aplicação e uso de medicamentos, descarte de reprodutores etc.

À medida que a dimensão da empresa suinícola aumenta, o número de pessoas envolvidas na atividade, embora não na mesma proporção, também aumenta. Isto porque, além de ganhos de escala, a "automatização" é um fator que contribue para reduzir a necessidade de mão-de-obra. Na medida que o tamanho da propriedade aumenta, o produtor deve buscar maior nível de especialização, para reduzir custos e minimizar riscos.

A falta de organização dos produtores no momento de comercializar seu produto final, agindo normalmente de forma isolada, faz com que percam poder de barganha.

As alternativas que se imaginam, poderiam contribuir para diminuir o problema dos produtores, seriam:

a) Associação em condomínios ou cooperativas;

b) Criação de estruturas associativas de mercado paralela a hoje existente que incrementasse a comercialização de carne suína "in natura ".


c) controle


Para que uma atividade, seja ela agrícola, comercial ou industrial, tenha sucesso, além dos aspectos abordados anteriormente é preciso que sejam implantadas formas de controle técnico-econômico das diversas atividades exercidas pela empresa.

No caso da suinocultura, além dos controles econômicos é preciso que se cuide com profundidade também dos aspectos produtivos, ou seja, que se controle muito bem o rebanho reprodutor, pois dele depende em grande parte o sucesso do empreendimento.

Para melhor compreensão dos fatores que envolvem o controle da atividade suinícola esses, foram classificados da seguinte forma:


c.1) aspectos técnicos


O produtor deve, ou precisa saber, qual a capacidade das suas instalações, em termos de matrizes instaladas e, principalmente, em terminados porca ano, peso dos animais na venda, número de animais vendidos/mês, etc. Deve procurar também alcançar metas pré-definidas, buscando uma produção estabilizada.

Definido o plano de produção, para se obter um melhor desempenho da granja suinícola como um todo, é preciso que se implante também (além do que já foi visto) um controle sobre o plantel reprodutor e suas leitegadas.

Assim das muitas formas de controle produtivo existente destacamos:

a) Identificação dos animais;

  1. Fichas de controle;

c) Coeficientes técnicos.


A avaliação do desempenho zootécnico de um plantel reprodutor, depende de uma série de coeficientes que devem ser calculados periodicamente, afim de, se apontada alguma distorção nos resultados esperados, medidas possam ser tomadas para corrigir o problema.

Como exemplo para o controle em rebanhos suinícolas temos:

a) Os controles de localização dos animais dentro das instalações de uma criação de animais, permite localizar as fêmeas e os machos (pela leitura da mossa), os lotes de leitões e animais na engorda (com a leitura da data de entrada).

b) O controle de rebanho, nesse caso é criado uma ficha por reprodutor, contendo todas as informações que lhe são concernentes (pai, mãe, data de nascimento, coberturas etc.). As fichas são colocadas num mural. Alfinetes de cores diferentes permitem visualizar o estado fisiológico das porcas, o número de partos etc.

c) Os controles da criação de suínos; se empregados constituem nos instrumentos de condução do rebanho contrariamente a caderneta do rebanho, as fichas ou os planos de localização do rebanho, eles permitem o controle do estado fisiológico de todas as fêmeas e de:

- previsão das operações a efetuar: detecção dos cios, entradas na maternidade, partos, desmames etc.

- visualizar o andamento do rebanho e notadamente a importância e a regularidade dos lotes de porcas (e as necessidades de leitoas).

- Conhecer dentro de certos casos a freqüência de utilização e a percentagem de retorno ao cio por machos e levantar balanços periódicos de produtividade.

d) Outros tipos de controle:

- Planejamento circular;

- Planejamento linear;

- Planejamento com index móvel.


c.2) aspectos econômico-financeiros


Na suinocultura as variações climáticas provocam alterações no rendimento da produção de alimentos que são destinados aos animais, especialmente do milho, (principal alimento na composição da ração), elevando os preços no mercado e por conseqüência o custo de produção.

O grande número de pequenas unidades produtoras, bem como sua dispersão geográfica, dificulta a organização do setor, em função disso perde poder no processo de determinação dos preços.

A obtenção de financiamentos, que tanto na sua forma, como na duração, devem ser adequados ao destino dos recursos, também é dificultada em função da desarticulação dos produtores.

Os resultados econômicos considerados mais importantes para o produtor de suínos são:

  1. vendas de animais;

  2. compra de animais;

  3. variação de estoques de animais;

  4. despesas com insumos alimentares;

  5. despesas gerais;

  6. margem bruta;

  7. custo de produção.


Considerações finais


Procurou-se de uma forma simples e introdutória apresentar os principais itens relevantes à administração da empresa produtora de suínos. Certamente o produtor deve procurar treinamento e aprender a usar os instrumentos e métodos modernos de gerenciamento.

Não se deve esquecer que os tempos mudaram e a competição entre países e empresas cresceu acentuadamente nos últimos anos. Os preços agrícolas apresentam uma tendência de queda e a competição passa a ser entre os melhores criadores do mundo. Aqueles que não procurarem aperfeiçoar-se e usarem boas técnicas produtivas e gerências correm o risco de terem baixa rentabilidade ou mesmo de serem obrigados a fechar seu negócio. Por isso, nessa era da globalização, da informática e do uso maciço de tecnologia modernas, o bom gerenciamento passa a ser fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento.

 

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