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A
mandioca pode ser usada na alimentação de suínos, como ingrediente da
ração, na forma de farinha integral de mandioca, na forma de farelo de
raspas de mandioca ou ainda na forma de farinha da parte aérea. Também
pode ser usada como ingrediente da dieta em forma de mandioca fresca,
contendo nesse caso, elevado teor de água.
É
considerada um alimento energético, sendo o amido seu principal
componente. O teores de proteína e aminoácidos são muito baixos.
As
variedades de mandioca bravas ou amargas podem intoxicar os animais
quando usadas imediatamente após a colheita, pela presença de substâncias
que liberam ácido cianídrico. Um tratamento prévio, através da
trituração ou corte dos tubérculos em pequenos pedaços após a
colheita, e exposição ao ar e ao sol por um período mínimo de 12
horas, é suficiente para eliminar este problema.
Farinha
integral
A
farinha integral de mandioca é obtida pela desidratação dos tubérculos
triturados, com posterior moagem. A desidratação pode ser feita pela
exposição ao sol por um período variável de 24 a 72 horas, ou com o
uso de secadores.
Para
a pequena propriedade, uma boa opção são os secadores de leito fixo.
O produto deve ficar com até 14% de umidade. A farinha integral pode
substituir totalmente o milho ou outra fonte de energia para suínos em
crescimento e terminação. Deve-se dar atenção aos níveis de energia
e de metionina, que podem apresentar deficiências. O emprego da farinha
integral na formulação com farelo de soja, premix, calcáreo, fosfato
bicálcico e sal ou com farelo de soja e nucleo é mais adequado do que
o uso com concentrado. Isto porque, no uso do concentrado, há a
necessidade de se aumentar a proporção para manter os níveis de proteína
bruta e aminoácidos, que se encontram em menor quantidade na mandioca
em relação ao milho.
Farelo
de raspas
O
farelo de raspas apresenta alto teor de fibra e de matéria mineral,
sendo baixo o teor de energia. Não deve ser utilizado para suínos em
crescimento, pois reduz seu desempenho, mesmo em níveis baixos de
inclusão. Para suínos em terminação, pode ser incluída em até 30%
da dieta, desde que se mantenha níveis adequados de energia.
Mandioca
fresca
O
uso de mandioca integral triturada ou picada em pequenos pedaços, com
alta umidade, é recomendado para suínos em crescimento e terminação,
com fornecimento à vontade, e para porcas em gestação, onde o
fornecimento deve ser controlado. Não deve ser fornecida para leitões
em fase inicial e para matrizes em lactação. As necessidades de proteína,
vitaminas e minerais devem ser supridas com o uso de concentrado, através
da adição de maiores quantidades de nucleo ou premixes.
A
mandioca integral triturada pode ser armazenada em silos, obtendo-se a
silagem de raiz. É boa opção em regiões umidas onde é difícil a
secagem ao sol. Sua composição química é semelhante à da raiz da
mandioca fresca, apenas com teor de matéria seca um pouco mais elevado.
A silagem é feita com a trituração da mandioca e posterior deposição
no silo, onde o produto é compactado em camadas de 10 cm, com a adição
de 2,5 a 3% de sal. O piso do silo deve ter um declive de 0,5% para
escorrimento do excesso de líquido.
Na
Tabela abaixo, são apresentadas as quantidades de mandioca fresca e
silagem de mandioca, a serem fornecidas com concentrado, para as
diferentes fases dos suínos.
Tabela
- Fornecimento de concentrado com mandioca fresca ou com silagem de
mandioca
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Peso
vivo suínos (kg)
|
Quantidade
fornecida por dia ( kg)
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Concentrado
1
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Mandioca
Fresca
|
Silagem
de Mandioca
|
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20
- 40
|
1,100
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À
vontade
|
À
vontade
|
|
40
- 80
|
1,350
|
À
vontade
|
À
vontade
|
|
80
- 100
|
1,500
|
À
vontade
|
À
vontade
|
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Gestação
(0 a 30 dias)
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0,700
|
3,600
|
3,000
|
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Gestação
( 30 a 85 )
|
0,770
|
4,000
|
3,350
|
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Gestação
( 85 a 110 )
|
1,050
|
6,000
|
5,000
|
A
quantidade de concentrado fornecida deve atender as necessidades em
proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais.
Fonte:
Bertol (1998)
Farinha
da parte aérea
A
farinha da parte aérea é obtida, picando-se os ramos e folhas,
secando-os ao sol e fazendo a posterior moagem. A secagem deve ser feita
até uma umidade de 12%, quando é feita a moagem, podendo então ser
adicionada à ração. A parte aérea da mandioca contem mais ácido
cianídrico que as raízes, não devendo ser fornecida fresca aos
animais.
A
farinha seca da parte aérea pode ser adicionada à ração em até 25%
da dieta de suínos em crescimento e terminação e em até 30% da dieta
de matrizes em gestação. Essas dietas são complementadas com óleo e
metionina, para ajustar os teores de energia e desse aminoácido, que
auxilia na desintoxicação dos resíduos tóxicos que permanecem na
farinha.
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